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EU IA DAR, MAS NÃO DEI

Atualizado: 5 de dez. de 2019

O date mais esquisito que eu tive - até agora, pelo menos (uns 3 meses de solteira) - envolveu uma foda interrompida. Por mim.



Agora, depois que tudo aconteceu, pensando nessa noite, dá para ver que foi inteira cheia de dicas de que não ia dar certo mesmo. Veja se você concorda.


Conheci o cara no app uns 15 dias depois de ter saído de casa. Logo de cara ele me convidou para “tomar uma cerveja, jogar uma sinuca e falar sobre o universo”. Um jeito inusitado de fazer o convite, mas eu achei bacana. Bem melhor do que os caras que ficam só “oi, td bem?”. E eu ando achando que o universo é meu amigo, então falou em “universo” já me chama a atenção também.


Beleza, encontro marcado, eu avisei que não sabia jogar sinuca, mas que já tinha brincado e que queria aprender (de verdade, acho sinuca legal e gostaria de saber jogar bem).

Local escolhido por ele: O´Malley´s (que, pra quem não sabe, é um pub em São Paulo com vários ambientes, tem música ao vivo e mesas de sinuca). Dia: domingo. Horário: 19h.


DICA no. 1 de que tinha alguma coisa “diferente”: uma meia hora antes do horário marcado, ele me manda mensagem para saber se eu ia chegar na hora e a real era que eu estava atrasada. Avisei que eu ia chegar 15min depois, o que de fato ocorreu. Cheguei após EXATOS 15min do horário marcado. #soudessas

E ele? Atrasou uns 15min em cima da hora que eu cheguei. Avisou que ia se atrasar. E eu pensei: “tudo bem, vou me manter aberta para essa experiência. Vira e mexe eu me atraso, não tem problema nenhum eu ter que esperar um pouquinho agora. Mesmo eu tendo avisado o horário que eu ia chegar e ele ter ganhado mais 15min.” Pedi um suco, pensando em começar a beber álcool só com ele, e sentei numa mesa.


DICA no. 2: ele chega e não é igual às fotos do app, que deviam ser de alguns anos atrás. Está com uns quilos a mais, mais barba e mais cabelo. Ok...


DICA no. 3: Look nada arrumado. Não é que eu só acho legal cara todo engomadinho. Não é isso... mas ele vestia jeans e uma camiseta meio velha, que não caíam bem nele. E eu tinha investido um certo esforço para ir bonitinha. Eu também estava de jeans e uma blusinha nada demais, porque era o que o pub pedia, mas era claro que eu tinha me esforçado muito mais do que ele na aparência. Ok...


DICA no. 4: a gente começou a conversar e uma hora, do nada, ele pega meu suco e bebe. Sem pedir! Ok, pensei que talvez existam pessoas que fazem isso e eu não conhecer nenhuma assim não quer dizer que isso seja mega esquisito...


DICA no. 5: a conversa continua e, de novo do nada, ele pega meu cabelo pela nuca. E solta. DO NA-DA! Ok...


Quando ele foi pedir uma bebida para ele, aí eu descobri que ele não bebe álcool! E o que eu tinha guardado na memória como o convite dele era uma viagem da minha cabeça! Não tinha nada de cerveja! Era só jogar sinuca e falar sobre o universo, que, aliás, não entrou na conversa em nenhum momento...

E a sinuca acredito que deve ter a mesma função para ele que o álcool tem para o resto dos mortais: deixa ele mais confiante e à vontade.

Então, em determinado momento, ele falou pra gente ir jogar. Fomos e eu bebi uma cerveja (depois de perguntar se não tinha nenhum problema pra ele se eu bebesse), ele só água. Durante a sinuca rolaram uns beijos.


DICA no. 6: beijo sem língua. Sim, esta era a dica gritando “PULA FORA DESSA”. Mas... acho que a minha libido estava represada demais (fiquei meses sem transar!!!) e eu fiquei com tesão mesmo assim!


Ele começou a falar para irmos para minha casa (porque ele não é de São Paulo e estava na casa do sócio), mas eu estava no apto de uma amiga (só eu, mas ainda assim não dava!) e disse que não podia levar ninguém pro apto. Aí ele falou para irmos para o Ibis. Concordei. E fiquei pensando a qual Ibis ele estava se referindo... eu não conseguia lembrar de nenhum ali por perto...

No fim era o Ibis Budget da av. 9 de Julho, que, nesse dia descobri, é tipo motel mesmo! Não para de chegar Uber com casalzinho! Incrível!


E o local escolhido foi a DICA no. 7: eu já tinha me hospedado no Ibis Budget e sabia que era beeem apertado, meio desconfortável até. Mas ok... Pensei que eu podia estar sendo muito fresca e para dar uma trepadinha o Budget ia atender.


No hotel/motel ele fez o nosso check-in, pagou a diária (acho que era uns 180~190 reais) e eu comprei água e chocolate (que ele pediu). Subimos, entramos no quarto e DICA no. 8: ele coloca Marisa Monte pra tocar no celular, pra criar um clima... Respeito quem curte, mas eu nem sou muito fã dela e esse tipo de música na hora de transar não tem nada a ver para mim! Mas eu pensei “deixa de ser chata, vamos curtir o momento sem deixar a música atrapalhar”. Ok...


Começamos a nos pegar e ele era beeeem devagar. Pensei comigo “não é exatamente meu estilo, mas pode ser legal, vamos ver no que dá”.

Deixei ele ir comandando a coisa toda. E o negócio parecia ser meio um script. Ele parecia estar seguindo uns movimentos decorados e ainda gemia meio esquisito, não parecia espontâneo e rolava numas horas meio sem motivo... o que acho que pode ser considerado como a DICA no. 9.


E durante a pegação também surgiu a DICA no. 10: ele não tinha tomado banho para me encontrar. Não só a roupa era desleixada, mas ele nem se deu o trabalho de tomar um banho antes de me ver! Mesmo chegando atrasado! Não posso dizer que ele estava exatamente fedendo, mas sabe quando dá para perceber que o dia todo ainda está no corpo da pessoa? Então...

Falei mais uma vez “ok, deixa pra lá” pra dica no. 10 e daqui a pouco eu já estava inteiramente nua. Ele já tinha tirado a camiseta, deitou e falou para eu tirar a calça dele. E não foi de um jeito gostoso. Super imagino uma situação em que o cara pede com jeitinho, uma voz sedutora e eu faria de super bom grado. Mas não foi assim, foi meio que uma ordem e ele lá deitado, parado. Eu respirei fundo e tirei mesmo assim. Mas aí foi a gota d´água. Eu fiquei ignorando a noite toda meu instinto me dizendo que não era pra rolar sexo. Na verdade acho que o que aconteceu foi uma briga entre meu corpo, que precisava transar e me deixou molhada mesmo com o beijo sem língua, e o resto do meu ser, que via/sabia/entendia que o cara não era legal para mim.

E depois que eu tirei a calça dele, ele foi pegar a camisinha, voltou pra cama e eu finalmente disse “eu não estou confortável”. Ele deitou e disse “vem cá”, me puxando para me abraçar. Ele estava pensando que ainda poderia reverter a situação. E eu continuei:

- Não estou me sentindo bem...

- É da cerveja? - ele perguntou. Só uma pessoa que realmente não me conhece me perguntaria uma coisa dessas depois de eu ter tomado só uma Heineken.

- Não, respondi.

- É a primeira vez que você fica com alguém depois que se separou?

Coitado! Essa hora eu até fiquei meio com dó, porque ele deve ter pensado que eu não ia conseguir trepar com ele por conta de eu estar muito sensível com a separação, talvez tivesse me lembrado do ex... ou seja, ele não fazia a mínima ideia da vida acelerada que eu estava vivendo e que eu já tinha transado e gozado com outros caras antes dele. Apesar do curto tempo desde a minha separação.

Sem dó, respondi honestamente (ser sincera é uma regra para mim, com exceções, claro, mas é regra):

- Não...

E aí eu achei que não dava mais para ficar enrolando. Levantei da cama, dizendo que queria ir pra casa. Comecei a me vestir e ele fez o mesmo.


Conforme eu ia colocando a calça, desvirando a blusa do avesso, fui ficando cada vez mais sem graça e pensando no que fazer para tentar minimizar a tragédia. Olhei minha carteira e eu tinha 110 reais. Separei o dinheiro no meu bolso.

Ao sairmos do quarto, comecei a insistir para que ele pegasse o dinheiro, para eu me sentir menos mal. Ele resistiu um pouco, até lançou um “você paga a próxima vez” e eu quase gritei “NÃAAO, pega logo o dinheiro AGORA”. Mas só me repeti educadamente mais algumas poucas vezes e ele pegou o dinheiro.


Ainda esperamos juntos no lobby pelos nossos Ubers, ele comendo o chocolate que pensou que comeria depois de gozar...

O Uber dele chegou primeiro, a gente se despediu numa boa e nunca mais falei com ele.


Esse corte que dei nele foi uma situação que ao mesmo tempo me deixou muito sem graça (mas muito mesmo) e orgulhosa de mim. Porque eu poderia muito bem só ter esperado a coisa terminar logo. Já fiz isso quando casada. Nem estava muito a fim de sexo, mas deixei rolar. Mas, com o cara que eu tinha acabado de conhecer, não fazia sentido eu priorizar o que ele queria em relação ao que eu queria. Naquela noite, eu me respeitei e encerrei o encontro, mesmo sabendo que ia ter que passar pelo desconforto de deixá-lo desconfortável.


Assim, não me arrependo de ter passado por esta experiência, que foi mais um aprendizado. Para muitas mulheres pode até ser uma coisa fácil de se fazer, mas para mim não era e eu vi que sou capaz de fazer muitas coisas mesmo sem saber que consigo, sou capaz de enfrentar o desconforto e de cuidar de mim mesma. Qualidades mais que necessárias na vida de solteira.

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